Crase e concordância: as regras de gramática que mais caem no vestibular

Dominar crase e concordância é um dos grandes desafios de quem está se preparando para o Enem. Porém, é preciso estar atento para esses dois temas, já que ele aparece em, praticamente, todas as edições.

Erros nessas regras gramaticais básicas podem fazer com que você perca pontos importantes na sua prova. Além disso, quando domina esses dois temas, o risco de errar algo sobre eles na redação também diminui consideravelmente.

Se você está em busca de uma preparação de alto rendimento, precisa focar nesses pontos, pois são dois conteúdos que muitos concorrentes falham no exame. Nós separamos as principais informações para ajudá-lo a tirar suas dúvidas e ver o que mais aparece no Enem. 

Confira a seguir!

Quais são as principais formas que crase e concordância são cobradas no Enem e vestibulares?

A prova de Linguagem, Código e Suas Tecnologias ou, de português geralmente tem um padrão que se repete ao longo dos anos e, por isso, dá para saber o que costuma aparecer mais. 

cursinho pro Enem vale a pena

As bancas responsáveis pelos exames privilegiam tópicos com forte impacto na construção de sentido, fugindo de decorebas puras e focando na aplicação funcional das normas cultas da língua.

Vem com a gente entender mais como crase e concordância pode aparecer no seu exame e comece já a incluir esses temas na sua preparação.

Casos proibidos e obrigatórios de crase em textos contextualizados

A crase, que consiste na fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a” (ou pronomes iniciados por essa letra), aparece frequentemente em questões que testam a regência de verbos e nomes em notícias jornalísticas ou crônicas.

O uso é obrigatório antes de palavras femininas que admitam o artigo definido, em locuções adverbiais femininas (como “à tarde”, “às avessas”, “à proporção que”) e na indicação de horas exatas.

Por outro lado, ela é terminantemente proibida antes de palavras masculinas, de verbos no infinitivo, antes de pronomes que não aceitam artigo e no singular antes de palavras no plural genérico.

A prova adora cobrar casos particulares, como a crase opcional antes de pronomes possessivos femininos (ex: “falei a/à minha mãe”) e de nomes próprios femininos, ou a ausência da acentuação quando a palavra “casa” ou “terra” não vem especificada por adjunto adnominal restritivo.

Identificar rapidamente essas restrições no texto base do enunciado agiliza a eliminação de alternativas incorretas logo na primeira leitura da questão.

  • Dica: substitua a palavra feminina por um equivalente masculino; se aparecer “ao”, o uso da crase feminina é obrigatório (“vou a feira” vira “vou ao mercado”).

Concordância verbal com sujeito composto e expressões partitivas

A concordância verbal estabelece que o verbo deve flexionar-se em número e pessoa para concordar com o seu sujeito gramatical.

No entanto, tanto vestibulares próprios quanto o Enem exploram casos especiais, como o sujeito composto posposto ao verbo (onde o núcleo pode concordar com o mais próximo ou ir para o plural), e expressões partitivas formadas por “a maioria de”, “grande parte de” ou “a metade de” seguidas de substantivo no plural.

Nesses casos, a concordância é facultativa: o verbo pode ficar no singular concordando com o coletivo partitivo ou ir para o plural concordando com o termo especificador.

Outro ponto que é bastante cobrado envolve os verbos impessoais, como o “haver” no sentido de existir ou indicando tempo decorrido, e o “fazer” indicando tempo transcorrido ou fenômenos meteorológicos.

Nesse caso, os termos permanecem obrigatoriamente invariáveis na terceira pessoa do singular, independentemente de estarem acompanhados de complementos plurais. Marcar a flexão indevida do verbo haver é uma das pegadinhas mais comuns em provas de múltipla escolha, incluindo o Enem.

  • Dica: substitua mentalmente o verbo “havia” por “existiam” para verificar se a frase aceitaria o plural, mas lembre-se de que na norma culta oficial o verbo haver continua singular.

Concordância nominal com adjetivos compostos e expressões predicativas

A concordância nominal rege a flexão em gênero e número de adjetivos, pronomes, numerais e artigos em relação ao substantivo a que se referem.

As questões do Enem sobre esse tema costumam focar em adjetivos compostos, onde apenas o último elemento varia em gênero e número (ex: “acordos econômico-financeiros”), exceto quando o primeiro elemento é um substantivo adjetivado.

Outro ponto de atenção são as expressões formadas por “é proibido”, “é necessário” e “é bom”, que permanecem invariáveis no masculino singular a menos que o substantivo venha precedido de artigo determinativo (“a entrada é proibida”).

O uso de palavras como “anexo”, “incluso”, “mesmo” e “obrigado” também gera confusão por concordarem estritamente em gênero e número com o substantivo a que se vinculam. Dominar essas regras evita desvios gramaticais graves tanto nas questões objetivas quanto na hora de escrever a sua redação.

  • Dica: verifique sempre se há um artigo definidor antes de expressões predicativas para decidir se o adjetivo deve flexionar-se no feminino ou plural.

Casos especiais de regência e crase com pronomes relativos

A interseção entre crase, regência e o uso de pronomes relativos como “cujo”, “quem” e “que” é cobrada recorrentemente, pedindo para reescrever frases e fazer correções gramaticais.

Quando o pronome relativo “cujo” (e suas flexões) substitui uma relação de posse, ele já exerce a função de pronome adjetivo, sendo terminantemente proibido o uso de artigo ou crase logo após ele.

Além disso, o pronome relativo “que” exige análise rigorosa do verbo da oração subordinada para verificar se ele rege a preposição “a”, condição sine qua non para o surgimento do acento grave.

As bancas costumam apresentar frases onde a troca de um pronome relativo por outro altera a regência e invalida o uso da crase. Compreender essa estrutura sintática ajuda a blindá-lo em cair em armadilhas que podem aparecer nas questões.

  • Dica: pergunte ao verbo da oração subordinada qual preposição ele exige; se a resposta for “a”, verifique se o termo antecedente aceita o artigo feminino.

Dicas para resolver as questões de crase e concordância no dia da prova

No dia da prova, é importante você ter em mãos todas as estratégias para resolver as questões no menor tempo possível e com segurança, ajudando a conquistar mais pontos e aumentar as chances de conquistar a sua vaga.

Nós separamos as principais dicas que vão ajudá-lo na hora de fazer o Enem, de acordo com nossa experiência com aprovações de milhares de alunos do Anglo!

Isole o verbo e teste sua regência antes de cravar a crase

O maior erro do estudante ao se deparar com um caso de crase é olhar apenas para a palavra seguinte sem verificar qual verbo ou nome rege o termo anterior.

O primeiro passo para resolver com agilidade é isolar o verbo da oração e perguntar a ele quem rege o quê. Se o verbo for transitivo direto (como “ver”, “comprar”, “amar”), ele não pede preposição “a”. Logo, a crase está descartada de imediato, mesmo que o substantivo seguinte seja feminino e venha com artigo.

Focar nessa estratégica ajuda a descarta distrações e revela se a fusão é estruturalmente obrigatória. 

Substitua a estrutura feminina por um sinônimo masculino para confirmar a crase

Uma das formas para identificar se o acento indicativo de crase realmente deve estar presente ou não é substituir o termo feminino que está sendo regido por um sinônimo masculino equivalente.

Vamos a um exemplo: se a frase original traz “fui a Paris” ou “voltei a Bahia”, substitua mentalmente por um destino que aceite artigo masculino, como “fui ao Rio de Janeiro” ou “voltei ao Ceará”. Se apareceu “ao”, a crase é certa. Já se apareceu apenas “a”, não há crase.

Esse exercício evita precisar quebrar a cabeça demais com a regência e ajuda a ter uma resposta rápida na hora de fazer a prova e, até mesmo, durante a redação, e aumentar suas chances de conseguir uma nota 1000.

Procure o sujeito real distante do verbo nas questões de concordância

Em questões de concordância verbal onde o sujeito é extenso ou está deslocado para o final da frase, o estudante costuma cair na armadilha de concordar o verbo com o substantivo mais próximo (atração gramatical incorreta).

Para identificar o verdadeiro culpado pela concordância na hora da prova, pergunte “Quem é que faz a ação?” ou “O que é que existe?” diretamente ao verbo. Ignore apostos, orações intercaladas e adjuntos adverbiais longos.

Isolar o sujeito verdadeiro descarta alternativas que trazem concordâncias atrativas populares, mas que são proibidas na norma culta.

Teste a inversão da frase para validar concordâncias nominais complexas

Quando a questão envolver adjetivos compostos ou expressões predicativas difíceis em frases truncadas, aplique a inversão sintática colocando o adjetivo antes do substantivo ou isolando o predicativo.

Essa estratégia revela se o modificador está concordando estritamente com o núcleo mais próximo ou se exerce função de predicativo do sujeito, exigindo concordâncias plurais específicas.

Essa técnica de verificação estrutural desacelera o julgamento precipitado e expõe inconsistências gramaticais escondidas nas alternativas da banca.

Como se preparar para as questões de crase e concordância: dicas de estudos

Para chegar no Enem ou no vestibular dominando os temas sobre crase e concordância, você precisa investir quanto antes na sua preparação. Pare de ficar decorando regras e exceções.

O ideal é conseguir treinar seu cérebro para conseguir resolver listas de reescrita textual, analisar textos jornalísticos reais, criar frases próprias aplicando as regras e revisar erros.

Confira a seguir as principais dicas de preparação de alta performance que nós indicamos para nossos alunos do Anglo.

Produza mini-parágrafos diários aplicando casos restritos de regência

Uma excelente técnica de fixação teórica consiste em escrever pequenos parágrafos diários de cinco linhas forçando o uso intencional de casos difíceis de crase e concordância, como regências de verbos bitransitivos (“aspirar”, “assistir”, “agradar”, “informar”) e sujeitos compostos por particípios.

Quando você escreve ativamente empregando a norma culta, a memória cinestésica e o senso rítmico do texto são aprimorados.

Pratique inventar frases com regências dúbias e consulte o seu material de estudos para ver se está tudo certo. Esse exercício desenvolve a intuição sintática necessária para identificar desvios gramaticais com extrema rapidez nas provas.

  • Dica: mantenha um caderno exclusivo para registrar verbos de regência dupla e crie frases de exemplo para cada um dos significados distintos.

Analise editoriais de jornais de grande circulação caçando desvios gramaticais

A melhor maneira de calibrar o nível de exigência dos estudos é analisar textos jornalísticos profissionais publicados em grandes jornais e revistas de circulação nacional.

Embora a imprensa siga a norma culta, artigos de opinião e reportagens complexas frequentemente trazem construções sintáticas ricas que testam os limites da concordância ideológica e da crase.

Ao encontrar uma estrutura complexa de orações, analise por que o autor utilizou determinado acento indicativo de crase ou porque o verbo concordou no plural. Essa leitura crítica transforma a teoria em repertório real de uso da língua.

  • Dica: leia editoriais com um marca-texto destacando todas as ocorrências de crase e justificando mentalmente o motivo de cada acento.

Conecte a gramática com a coesão exigida na redação dissertativa

O estudo da gramática nunca deve ser separado da produção de textos dissertativos-argumentativos. Compreender crase e concordância serve primariamente para garantir que sua redação no vestibular atinja nota máxima na competência de norma culta.

Durante seus treinos de redação, revise cada período escrito, avaliando se os pronomes relativos e as regências verbais estão blindados contra falhas que podem fazê-lo perder pontos.

Conectar a gramática à coesão textual permite que você perceba o impacto estético e argumentativo de uma frase bem pontuada e perfeitamente concordada perante os corretores.

  • Dica: reserve os últimos quinze minutos de cada treino de redação exclusivamente para uma varredura gramatical caçando desvios de concordância.

Resolva questões de reescrita focando na detecção visual de desvios

Uma excelente técnica de fixação é resolver listas semanais focadas exclusivamente em questões de reescrita de frases e correção gramatical aplicadas por grandes bancas examinadoras.

Quando você treina o cérebro para escanear a estrutura sintática de um texto em busca de concordâncias atrativas falsas ou regências omitidas, a identificação de erros torna-se intuitiva durante a prova.

Pratique reescrever frases truncadas substituindo termos por pronomes equivalentes para testar a regência e a colocação pronominal em tempo real. Esse exercício ativo desenvolve a agilidade analítica necessária para eliminar alternativas incorretas em poucos segundos no dia do exame.

  • Dica: crie um caderno de erros gramaticais focando nas questões que você mais erra em simulados, anotando a justificativa exata da norma culta para cada alternativa incorreta. 

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