A proposta de intervenção na redação do Enem é o momento de transformar sua análise em uma solução. E você não precisa decorar uma conclusão pronta para apresentar uma resposta completa e coerente.
O caminho está em relacionar a intervenção ao tema e incluir os elementos avaliados pela banca. Continue a leitura para aprender esse processo, analisar exemplos e fechar a Competência 5 com mais confiança.
O que é a proposta de intervenção na redação do Enem?
A proposta de intervenção na redação do Enem é uma medida apresentada para enfrentar o problema discutido na redação. Ela precisa estar ligada ao tema, dialogar com os argumentos e respeitar os direitos humanos.
Isso significa que a proposta não deve aparecer como uma ideia isolada no último parágrafo. A solução precisa responder à situação que você analisou ao longo do texto.
Segundo a Cartilha do Participante, a Competência 5 avalia a capacidade de elaborar uma proposta para o problema abordado. Ela também considera a relação da intervenção com a discussão desenvolvida.
Cada uma das cinco competências da redação vale até 200 pontos. Portanto, uma proposta bem construída pode contribuir diretamente para uma boa nota, mas ela precisa fazer sentido dentro do projeto de texto.
Quais são os 5 elementos da proposta de intervenção no Enem?
Uma proposta completa mostra o que deve ser feito, quem ficará responsável e como a medida funcionará. Para organizar essas informações, considere os 5 elementos da proposta de intervenção:
- Ação: o que será feito para enfrentar o problema;
- Agente: quem será responsável pela ação;
- Meio ou modo: como a medida será realizada;
- Efeito ou finalidade: qual resultado a intervenção pretende alcançar;
- Detalhamento: qual informação torna um dos elementos mais específico.
Imagine, por exemplo, uma redação sobre a circulação de desinformação entre jovens. Em vez de escrever apenas “é necessário conscientizar a população”, você precisa definir uma ação concreta e mostrar como ela poderá enfrentar o problema.
Para planejar, responda a estas perguntas:
- O que precisa acontecer? Criar oficinas de educação midiática;
- Quem consegue fazer isso? O Ministério da Educação e as redes de ensino;
- Como a ação será aplicada? Por meio de atividades nas escolas;
- Para quê? Para ensinar os estudantes a avaliar fontes;
- Qual detalhe completa a ideia? Os materiais serão produzidos com universidades e agências de checagem.
A ordem dos elementos pode mudar. O importante é que eles estejam articulados e formem uma intervenção compreensível.
Você também não precisa escrever uma frase enorme. A proposta pode ser desenvolvida em duas ou mais frases, desde que as informações permaneçam conectadas.
Uma estrutura de planejamento ajuda a visualizar o raciocínio:
Para enfrentar [problema], [agente] deve realizar [ação], por meio de [modo], a fim de alcançar [efeito], com [detalhamento].
Use esse esquema para organizar as ideias, não como uma conclusão fixa. As escolhas precisam mudar conforme o tema e os argumentos da sua redação.
Por que evitar uma conclusão coringa na redação do Enem?
A conclusão coringa é uma estrutura genérica preparada para caber em qualquer tema. Embora possa transmitir segurança durante o treino, ela aumenta o risco de produzir uma intervenção superficial e distante da discussão.
Veja um exemplo:
Portanto, o governo deve criar campanhas para conscientizar a população e resolver o problema.
A frase parece apresentar uma solução, mas deixa várias dúvidas:
- qual órgão do governo realizará a ação?
- o que será explicado nas campanhas?
- em quais canais elas serão divulgadas?
- qual público será alcançado?
- que parte do problema a medida pretende enfrentar?
- qual resultado é esperado?
Memorizar uma estrutura não zera a Competência 5. O problema aparece quando o modelo gera uma proposta genérica, incompleta ou desconectada do tema e dos argumentos.
Aprender a adaptar a proposta exige contato com diferentes temas e prática de redação. No curso Anglo, você se prepara para o Enem. Assim, desenvolve estratégias de escrita sem depender de fórmulas prontas.
Como conectar a proposta de intervenção ao tema?
Para conectar a proposta de intervenção ao tema da redação do Enem, retome a tese e os argumentos desenvolvidos. A solução deve enfrentar uma causa, consequência ou obstáculo discutido no texto para fortalecer a Competência 5.
Antes de escrever a conclusão, siga estes passos:
- Retome o recorte temático: identifique o problema exato apresentado pela proposta de redação;
- Releia sua tese: confirme qual posicionamento você defendeu;
- Observe os argumentos: escolha uma causa ou consequência que permita uma intervenção;
- Defina um agente adequado: pense em quem possui atribuições ou recursos para agir;
- Direcione a ação: mostre como a medida enfrentará o aspecto discutido;
- Confira o resultado: verifique se a finalidade responde ao problema inicial.
Suponha que um dos argumentos mostre a falta de educação midiática nas escolas. Nesse caso, uma ação de formação dos estudantes se conecta diretamente à causa discutida.
Se o desenvolvimento abordar a responsabilidade das plataformas digitais, a intervenção pode envolver mecanismos de identificação e redução do alcance de conteúdos enganosos. Nesse exemplo, o agente e a ação mudam porque o argumento também mudou.
Você não precisa resolver todas as questões sociais relacionadas ao tema. É melhor desenvolver uma proposta específica e coerente do que apresentar várias medidas sem explicação.
Uma pergunta ajuda na revisão: a minha conclusão responde ao problema que desenvolvi? Se a resposta estiver clara no texto, a proposta tende a ficar mais articulada.
Quais são alguns exemplos de proposta de intervenção?
Vamos considerar este tema fictício: “Caminhos para combater a desinformação entre jovens no Brasil”. Primeiro, observe uma intervenção genérica:
Portanto, o governo deve promover campanhas para conscientizar os jovens sobre os perigos da desinformação.
A proposta apresenta um agente amplo, uma ação e um público. No entanto, não explica qual órgão atuará, como a campanha funcionará nem qual habilidade será desenvolvida entre os jovens.
Agora, veja uma versão mais completa:
Para reduzir a circulação de desinformação entre adolescentes, o Ministério da Educação, em parceria com as secretarias estaduais, deve incorporar oficinas de educação midiática ao Ensino Médio. A iniciativa será realizada com materiais produzidos por universidades e agências de checagem, a fim de ensinar os estudantes a avaliar a origem e a confiabilidade das informações antes de compartilhá-las.
Nesse exemplo, os elementos aparecem de maneira conectada:
- Agente: Ministério da Educação e secretarias estaduais;
- Ação: incorporar oficinas de educação midiática ao Ensino Médio;
- Meio: utilizar materiais produzidos com universidades e agências de checagem;
- Finalidade: ensinar os estudantes a avaliar as informações;
- Detalhamento: indicar o público, as parcerias e as habilidades trabalhadas.
A mesma discussão também poderia gerar outra proposta. Se o argumento central tratasse da atuação das plataformas, a intervenção precisaria acompanhar esse recorte:
Para limitar o alcance de conteúdos enganosos entre jovens, as plataformas digitais devem ampliar os avisos exibidos em publicações contestadas. A medida pode utilizar informações fornecidas por agências de checagem e oferecer links para fontes confiáveis, permitindo que os usuários consultem o contexto antes de compartilhar o conteúdo.
A segunda proposta escolhe outro agente porque enfrenta uma causa diferente. Os dois exemplos mostram que não existe uma única resposta correta, mas a intervenção precisa continuar ligada à argumentação.
Quais erros zeram a Competência 5 do Enem?

Nem todo erro na proposta de intervenção da redação do Enem zera a Competência 5. Uma solução incompleta ou pouco detalhada pode reduzir a pontuação, mas ainda ser considerada pela banca.
De acordo com os critérios do Inep, a Competência 5 pode receber zero quando o candidato:
- não apresenta uma proposta de intervenção;
- apresenta uma proposta sem relação com o tema ou com o assunto;
- propõe uma medida que desrespeita os direitos humanos.
O respeito aos direitos humanos faz parte da própria descrição da Competência 5 na Matriz de Referência do Enem. Por isso, não indique tortura, execução, perseguição ou outras formas de violência contra indivíduos ou grupos.
Também é importante diferenciar zerar a Competência 5 de zerar toda a redação. A nota zero nessa competência elimina os pontos desse critério, mas não corresponde automaticamente à anulação integral do texto.
Outros problemas diminuem a qualidade da proposta sem representar zero automático:
- usar um agente genérico;
- apresentar uma ação vaga;
- não explicar o meio de execução;
- deixar a finalidade pouco clara;
- não detalhar nenhum elemento;
- desenvolver uma solução pouco relacionada aos argumentos.
Antes de entregar a redação, faça uma revisão rápida. Confirme se há uma ação, um agente capaz de realizá-la, um meio, uma finalidade e pelo menos um elemento detalhado.
Por fim, observe se a proposta respeita os direitos humanos e responde ao problema discutido. Essa conferência leva poucos minutos e ajuda a identificar lacunas enquanto ainda existe tempo para ajustar o texto.
Uma boa proposta de intervenção no Enem não nasce de uma frase pronta, mas dos argumentos que você construiu. Com ação, agente, meio, finalidade e detalhamento bem conectados, sua conclusão ganha clareza, especificidade e força.
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