Tabela de pontos do ENEM: como a sua nota vira aprovação (por área e por curso)

Se existe uma habilidade capaz de fazer diferença em praticamente todos os vestibulares brasileiros, ela é a capacidade de argumentar. Tão importante quanto dominar conteúdos de História, Matemática ou Biologia, quem deseja conquistar uma vaga em uma universidade precisa mostrar que consegue analisar um problema, organizar ideias e defender um ponto de vista de maneira lógica e convincente. É justamente nesse contexto que o artigo de opinião ganha destaque.

Embora muitas pessoas associem esse gênero apenas às páginas de jornais e revistas, aprender a escrever um artigo de opinião vai muito além de conhecer um formato textual. Na prática, ele ensina o estudante a desenvolver pensamento crítico, selecionar informações relevantes, construir argumentos consistentes e utilizar referências de maneira estratégica. Todas essas competências aparecem, de uma forma ou de outra, nas redações cobradas pelos principais vestibulares do país.

Mesmo quando a prova não pede explicitamente um artigo de opinião, como acontece no ENEM, dominar esse gênero fortalece a escrita argumentativa. Afinal, tanto o artigo quanto o texto dissertativo-argumentativo compartilham características fundamentais: apresentam uma tese, desenvolvem argumentos para defendê-la e conduzem o leitor até uma conclusão coerente.

A diferença é que o artigo de opinião costuma estabelecer um diálogo mais próximo com quem lê. Seu objetivo não é apenas informar, mas convencer. Para isso, o autor precisa construir um raciocínio sólido, utilizar fatos concretos, recorrer ao repertório sociocultural e demonstrar domínio da língua portuguesa. Não basta dizer o que pensa: é preciso explicar por que aquilo faz sentido.

A boa notícia é que escrever um bom artigo de opinião não depende de talento ou inspiração. Trata-se de uma habilidade que pode ser aprendida e aperfeiçoada com prática. Quanto mais você entende como esse gênero funciona, mais natural se torna organizar as ideias e enfrentar qualquer proposta de redação.

Neste texto, você vai descobrir o que caracteriza um artigo de opinião, entender sua estrutura, aprender a construir argumentos realmente convincentes, conhecer os principais critérios de avaliação dos vestibulares e descobrir como transformar sua escrita em uma das suas maiores aliadas rumo à aprovação.

O que é um artigo de opinião?

O artigo de opinião é um gênero textual argumentativo cujo objetivo principal é defender um posicionamento sobre determinado tema de interesse público. Em vez de apenas apresentar fatos, como faz uma notícia, esse tipo de texto convida o autor a interpretar acontecimentos, analisar diferentes perspectivas e convencer o leitor de que sua visão é consistente.

Essa característica faz toda a diferença. Muitas pessoas acreditam que escrever um artigo de opinião significa simplesmente dizer o que pensam sobre determinado assunto. Na realidade, opinião, sozinha, não convence ninguém. Para que um texto seja realmente persuasivo, toda afirmação precisa ser sustentada por argumentos sólidos.

Imagine que alguém escreva: “As redes sociais fazem mais mal do que bem.” Essa frase apresenta um posicionamento, mas ainda não constitui um bom argumento. O leitor naturalmente perguntará: por quê? É justamente nesse momento que entra a argumentação. O autor pode explicar como o uso excessivo das plataformas influencia a saúde mental, citar pesquisas científicas, apresentar dados sobre ansiedade entre adolescentes ou discutir os impactos da desinformação. Aos poucos, a opinião deixa de ser apenas uma afirmação e passa a ser uma ideia fundamentada.

Esse processo diferencia um artigo de opinião de uma simples manifestação pessoal nas redes sociais. Enquanto uma publicação pode expressar uma impressão momentânea, o artigo exige reflexão, organização e compromisso com a construção de um raciocínio consistente.

Quais são as principais características?

O artigo de opinião apresenta algumas características que o diferenciam de outros gêneros textuais. Como citado anteriormente, a principal delas é a defesa de um ponto de vista. Desde o início, o autor deixa claro qual posição pretende sustentar e utiliza argumentos para convencer o leitor.

tabela de pontos enem

Outra característica importante é a presença de uma linguagem predominantemente formal, embora adaptada ao público do veículo em que o texto será publicado. Em jornais e portais de notícias, por exemplo, é comum encontrar uma escrita acessível, mas sem abrir mão da norma-padrão.

Também fazem parte desse gênero a utilização de fatos, exemplos, dados e referências que fortaleçam a argumentação. Diferentemente de uma simples opinião, o artigo busca convencer por meio de evidências e raciocínio lógico.

Além disso, trata-se de um texto assinado, o que evidencia que as ideias apresentadas são responsabilidade do autor.

Gênero textual e tipologia textual: por que essa diferença importa?

Durante a preparação para o vestibular, muitos estudantes encontram os termos “gênero textual” e “tipologia textual” e acabam acreditando que eles significam exatamente a mesma coisa. Apesar de estarem relacionados, esses conceitos possuem funções diferentes.

  • A tipologia textual diz respeito à forma predominante de organização das ideias. Ela pode ser narrativa, descritiva, expositiva, injuntiva ou argumentativa;
  • Já o gênero textual está ligado à função social do texto, ou seja, ao contexto em que ele circula e ao propósito que cumpre na comunicação. Uma notícia, uma receita culinária, uma carta aberta, uma reportagem, um editorial e um artigo de opinião são gêneros textuais diferentes porque surgem em situações comunicativas distintas e apresentam objetivos específicos.

O artigo de opinião pertence aos gêneros textuais e utiliza predominantemente a tipologia argumentativa.

Entender essa diferença ajuda bastante durante a leitura das propostas de redação. Algumas universidades, como a UNICAMP, frequentemente trabalham com diferentes gêneros textuais, exigindo que o candidato adapte não apenas a estrutura da escrita, mas também o interlocutor, a linguagem e a finalidade do texto.

Por isso, conhecer essas características representa uma vantagem importante durante a preparação.

Por que aprender esse gênero melhora qualquer redação?

Mesmo que a prova peça um texto dissertativo-argumentativo, estudar o artigo de opinião desenvolve praticamente todas as competências avaliadas pelas bancas. Isso acontece porque ambos exigem habilidades semelhantes.

O estudante precisa interpretar uma proposta, identificar o problema central, assumir um posicionamento, selecionar argumentos consistentes, organizar as ideias de maneira lógica e concluir o texto sem perder a coerência.

Além disso, escrever artigos de opinião estimula uma competência extremamente valorizada nos vestibulares: o pensamento crítico.

Em vez de reproduzir respostas prontas, o candidato aprende a analisar diferentes perspectivas antes de construir sua própria visão sobre determinado assunto. Esse exercício amplia a capacidade de interpretação e reduz o risco de produzir redações superficiais.

Outro benefício importante está relacionado ao repertório sociocultural. Quem escreve frequentemente sobre temas variados acaba desenvolvendo um olhar mais atento para acontecimentos históricos, pesquisas científicas, obras literárias, filmes, livros e fenômenos sociais. Com o tempo, essas referências passam a surgir de forma espontânea durante a produção textual.

Esse amadurecimento faz enorme diferença na qualidade da argumentação.

Como é a estrutura de um artigo de opinião?

Embora cada autor tenha liberdade para construir seu próprio estilo, praticamente todos os artigos de opinião seguem uma organização lógica.

O primeiro elemento é o título.

Muito mais do que indicar o assunto, ele precisa despertar o interesse do leitor. Bons títulos costumam levantar uma questão, sugerir um debate ou apresentar uma ideia instigante.

Depois vem a introdução.

Ela funciona como uma porta de entrada para o texto. É nesse momento que o autor apresenta o contexto do problema e deixa clara a tese que será defendida. Uma introdução eficiente não entrega todos os argumentos logo de início, mas oferece informações suficientes para que o leitor compreenda qual discussão será desenvolvida.

Na sequência aparece o desenvolvimento, considerado o coração do artigo.

Cada parágrafo deve aprofundar um aspecto da tese apresentada anteriormente. É aqui que entram exemplos, pesquisas, acontecimentos históricos, dados estatísticos, relações de causa e consequência, comparações e referências culturais. Quanto mais bem conectados estiverem esses elementos, mais convincente será o texto.

Por fim, chega a conclusão.

Ela não serve apenas para repetir aquilo que já foi dito. Seu papel é mostrar que todos os argumentos apresentados conduzem naturalmente ao posicionamento defendido desde o início da produção.

Nos artigos publicados em jornais, é comum que o encerramento proponha uma reflexão ou convide o leitor a reconsiderar determinada questão. Nos vestibulares, a conclusão demonstra maturidade argumentativa e evidencia que o candidato conseguiu manter uma linha de raciocínio consistente até o último parágrafo.

A tese é o ponto de partida de toda argumentação

Todo bom artigo começa muito antes da escrita. Ele começa quando o autor define exatamente qual ideia pretende defender. Essa ideia recebe o nome de tese.

A tese funciona como uma bússola. Ela orienta todas as escolhas feitas ao longo do texto. Se ela estiver mal definida, a argumentação tende a ficar confusa, repetitiva ou superficial. Um erro bastante comum entre estudantes é construir teses genéricas demais.

Afirmações como “a educação é importante”, “a tecnologia mudou o mundo” ou “a leitura faz bem” dificilmente geram um debate interessante, justamente porque são amplamente aceitas. Uma tese forte precisa apresentar um recorte específico.

Em vez de afirmar apenas que a educação é importante, por exemplo, o autor pode defender que o fortalecimento da educação básica representa o caminho mais eficiente para reduzir desigualdades sociais no Brasil.

Perceba como essa formulação já abre espaço para diferentes linhas de argumentação. O autor poderá discutir políticas públicas, qualidade do ensino, investimentos governamentais, evasão escolar, desenvolvimento econômico e diversos outros aspectos relacionados à ideia central. 

Quanto mais clara estiver a tese, mais fácil será selecionar argumentos relevantes.

Ela funciona como um filtro. Sempre que surgir uma nova informação durante a escrita, basta perguntar: esse exemplo realmente ajuda a defender minha tese? Se a resposta for negativa, provavelmente ele não deve ocupar espaço no texto.

Essa estratégia evita um dos erros mais comuns nas redações de vestibular: incluir informações interessantes, mas que não contribuem diretamente para convencer o leitor.

Construindo o argumento

A partir do momento em que a tese está definida, começa a etapa mais importante do artigo de opinião: a construção da argumentação. É ela que diferencia um texto superficial de uma produção capaz de convencer o leitor. Um bom argumento não nasce apenas da opinião do autor. Ele surge da capacidade de explicar por que determinado posicionamento faz sentido e quais evidências sustentam essa visão.

Em muitos casos, estudantes acreditam que argumentar significa apresentar uma sequência de opiniões pessoais. Entretanto, esse é um dos erros mais comuns nas redações de vestibular. A banca procura candidatos capazes de analisar problemas, estabelecer relações entre fatos e interpretar a realidade de maneira crítica. Quanto mais fundamentado for o texto, maior será sua força persuasiva.

Pense em um tema como o uso da inteligência artificial na educação. Em vez de afirmar simplesmente que a tecnologia melhora o aprendizado, um bom articulista procura demonstrar como isso acontece. Ele pode mencionar plataformas que personalizam os estudos, pesquisas que apontam ganhos de desempenho, desafios relacionados ao uso ético dessas ferramentas e até possíveis limitações da tecnologia. Aos poucos, o leitor deixa de enxergar apenas uma opinião e passa a acompanhar um raciocínio estruturado.

Esse processo é justamente o que as bancas valorizam. Elas não esperam que todos os candidatos tenham a mesma opinião sobre determinado assunto, mas sim que sejam capazes de defendê-la de maneira lógica.

O que torna um argumento realmente convincente?

Não existe uma fórmula única para construir bons argumentos, mas há algumas características presentes na maioria dos textos bem avaliados.

A primeira delas é a relação direta com a tese. Cada argumento precisa responder à pergunta central levantada na introdução. Quando um parágrafo foge desse objetivo, o texto perde unidade e o leitor pode sentir que a discussão mudou de direção.

Outro aspecto importante é a capacidade de estabelecer relações de causa e consequência. Em vez de apenas afirmar que determinado problema existe, procure explicar suas origens e seus impactos. Esse tipo de análise demonstra maturidade intelectual e amplia a profundidade da argumentação.

Também faz diferença utilizar exemplos concretos. Eles aproximam o leitor da realidade discutida e tornam as ideias menos abstratas. Um exemplo histórico, um fato recente ou uma situação observada no cotidiano pode fortalecer significativamente um argumento quando está conectado ao tema.

Isso não significa, porém, que seja necessário memorizar centenas de informações. Muitas vezes, uma boa explicação vale mais do que uma longa sequência de dados estatísticos.

O papel do repertório sociocultural

Nos últimos anos, poucos conceitos ganharam tanta importância entre vestibulandos quanto o repertório sociocultural. A expressão aparece constantemente em aulas de redação, vídeos na internet e correções comentadas. Ainda assim, muitos estudantes acreditam que repertório significa apenas decorar citações de filósofos.

Na prática, esse conceito é muito mais amplo.

Repertório sociocultural corresponde ao conjunto de conhecimentos que uma pessoa utiliza para interpretar a realidade e fortalecer sua argumentação. Livros, filmes, acontecimentos históricos, pesquisas científicas, leis, séries, obras de arte, conceitos filosóficos e fenômenos sociais podem funcionar como repertório, desde que estejam relacionados ao tema discutido.

O problema surge quando essas referências aparecem de maneira artificial.

Imagine um texto sobre mudanças climáticas que cita Platão apenas porque o estudante decorou uma frase famosa. Se essa referência não contribuir para explicar o problema, ela não fortalece o argumento. Pelo contrário, pode transmitir a impressão de que foi inserida apenas para impressionar o corretor.

O repertório eficiente é aquele que dialoga naturalmente com a tese. Se o tema envolve educação, por exemplo, mencionar dados sobre alfabetização, pesquisas relacionadas ao desempenho escolar ou experiências internacionais pode fazer muito mais sentido do que citar um filósofo sem estabelecer qualquer conexão com a discussão.

Mais importante do que conhecer dezenas de autores é aprender a utilizar bem aquilo que você já sabe.

Aristóteles e os fundamentos da persuasão

Muito antes de existirem vestibulares, Aristóteles já estudava como as pessoas eram convencidas por meio da linguagem. Em sua obra sobre retórica, o filósofo grego apresentou três pilares da persuasão que continuam extremamente atuais.

  • O primeiro deles é o logos, relacionado à lógica da argumentação. São os fatos, as explicações e as evidências que sustentam o raciocínio do autor;
  • O segundo é o ethos, que diz respeito à credibilidade de quem escreve. Um texto demonstra ethos quando revela domínio do tema, utiliza informações confiáveis e apresenta argumentos consistentes;
  • Já o terceiro elemento é o pathos, responsável por despertar emoções no leitor. Isso não significa apelar para o sentimentalismo, mas compreender que exemplos concretos e situações humanas tornam a leitura mais envolvente.

Os melhores artigos de opinião costumam equilibrar esses três aspectos. Um texto baseado apenas em emoção pode parecer exagerado. Por outro lado, uma produção repleta de dados, mas completamente distante da realidade das pessoas, tende a se tornar fria e pouco interessante. O equilíbrio entre razão, credibilidade e sensibilidade torna a argumentação muito mais eficiente.

Como organizar os parágrafos

A estrutura interna dos parágrafos também influencia diretamente a qualidade do texto.

Uma estratégia bastante utilizada consiste em iniciar cada parágrafo apresentando a ideia principal que será discutida. Em seguida, essa ideia é desenvolvida por meio de explicações, exemplos ou referências. Por fim, o autor estabelece uma ligação com a tese central antes de passar para o próximo argumento.

Essa organização evita repetições e facilita a compreensão; além disso, permite que cada parágrafo cumpra uma função específica dentro da construção do raciocínio.

Quando o estudante escreve sem planejamento, é comum encontrar parágrafos que misturam muitos assuntos ao mesmo tempo. Como consequência, o texto perde o foco e a argumentação se enfraquece.

Coesão: fazendo as ideias conversarem entre si

Imagine um quebra-cabeça cujas peças não se encaixam. Mesmo que cada peça seja bonita individualmente, o resultado final não faz sentido. Na redação acontece algo semelhante. As ideias precisam estar conectadas por meio da coesão: ela é construída com recursos linguísticos como pronomes, sinônimos, retomadas e, principalmente, conectivos.

Expressões como “além disso”, “por outro lado”, “entretanto”, “desse modo”, “portanto”, “em contrapartida” e “consequentemente” ajudam o leitor a compreender como uma informação se relaciona com a outra. Entretanto, é importante evitar o uso mecânico desses elementos.

Alguns estudantes decoram listas enormes de conectivos e acabam utilizando palavras inadequadas apenas para demonstrar variedade vocabular. O resultado é um texto artificial.

O ideal é escolher conectivos que realmente expressem a relação existente entre as ideias. Quando isso acontece, a leitura se torna muito mais natural. Confira alguns exemplos:

  • Adição: além disso; também; bem como
  • Contraste: entretanto; contudo; por outro lado
  • Conclusão: portanto; assim; desse modo
  • Consequência: por isso; consequentemente; dessa forma

Coerência: mantendo a lógica do texto

Enquanto a coesão conecta frases e parágrafos, a coerência garante que todo o texto faça sentido. Ela está relacionada à unidade do raciocínio. Um artigo coerente mantém o mesmo foco do início ao fim. Os argumentos dialogam entre si, reforçam a tese e conduzem o leitor até uma conclusão lógica.

Quando a coerência é comprometida, surgem contradições, mudanças bruscas de assunto e afirmações incompatíveis. Por isso, durante a revisão, vale a pena fazer uma leitura completa perguntando a si mesmo: todas essas ideias realmente defendem a tese apresentada na introdução?

Se algum trecho não contribuir para esse objetivo, talvez seja melhor reescrevê-lo ou eliminá-lo.

A importância da norma-padrão

Embora a qualidade da argumentação seja essencial, ela não é o único aspecto observado pelas bancas. O domínio da norma-padrão também influencia significativamente a avaliação.

Ortografia, acentuação, pontuação, concordância e regência contribuem para a clareza da escrita e demonstram cuidado na produção textual. Isso não significa que um pequeno erro comprometerá todo o texto. Entretanto, muitos desvios podem prejudicar a compreensão e transmitir insegurança ao leitor.

Por isso, reservar alguns minutos para revisar a redação antes da entrega faz toda a diferença.

E quais são os erros mais comuns?

Mesmo alunos que dominam o conteúdo podem perder pontos por cometer erros relativamente simples.

Um dos mais frequentes é fugir do tema. Muitas vezes, o candidato aborda assuntos relacionados, mas deixa de responder exatamente ao problema apresentado pela proposta.

Outro equívoco recorrente é construir uma tese vaga demais. Quando o posicionamento não está claro, toda a argumentação se torna confusa.

Também merece atenção o excesso de repetições. Reescrever a mesma ideia com palavras diferentes não fortalece o texto. Pelo contrário, transmite a impressão de que faltaram argumentos.

Há ainda estudantes que utilizam repertório sociocultural apenas para demonstrar conhecimento, sem estabelecer qualquer ligação com a tese. Nesses casos, a referência perde sua função argumentativa.

Por fim, uma conclusão que apenas repete a introdução dificilmente causa boa impressão. O encerramento deve mostrar que o desenvolvimento conduziu naturalmente ao posicionamento defendido.

Prática constante faz diferença

É comum que estudantes procurem uma fórmula capaz de garantir uma excelente nota na redação. Na realidade, o maior segredo continua sendo a prática. Escrever regularmente permite identificar dificuldades, experimentar diferentes estratégias argumentativas e ganhar segurança diante da folha em branco.

Depois de produzir um texto, vale a pena relê-lo com olhar crítico. Pergunte-se se a tese ficou clara, se cada parágrafo possui uma função específica, se os argumentos realmente sustentam o posicionamento e se a conclusão fecha o raciocínio.

Esse hábito acelera significativamente a evolução.

Exemplo de artigo de opinião comentado!

Depois de conhecer a estrutura e as principais características desse gênero textual, vale a pena observar como esses elementos aparecem na prática. O exemplo a seguir mostra como um artigo de opinião é organizado e por que cada parte do texto é importante para construir uma argumentação consistente.

Tema: O uso dos celulares nas escolas

Título: Celular em sala de aula: proibir é a melhor solução?

Durante muitos anos, o celular foi visto como um dos principais inimigos da aprendizagem dentro das salas de aula. Com o avanço da tecnologia e das redes sociais, tornou-se comum associar o aparelho à distração dos estudantes. No entanto, proibir completamente seu uso pode significar abrir mão de uma ferramenta que também possui grande potencial educativo. O desafio não está em eliminar a tecnologia das escolas, mas em utilizá-la de maneira consciente e orientada.

Quando usado sem orientação, o celular realmente pode comprometer a concentração dos estudantes. As notificações constantes, o acesso às redes sociais e a facilidade de alternar entre diferentes aplicativos desviam a atenção das atividades propostas pelos professores. Pesquisas conduzidas por especialistas da Universidade de Harvard apontam que o uso excessivo de tecnologias digitais pode provocar impactos em diferentes aspectos do desenvolvimento de crianças e adolescentes, incluindo o desenvolvimento cognitivo.

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